E agora, mais um post sobre a diversidade de relações que podemos encontrar. Hoje, sobre o quão variável pode ser uma interação que parecia óbvia:
A convivência com inquilinos não é privilégio de humanos. Diversos seres vivos convivem intimamente com outros, num processo chamado de simbiose (vida conjunta). Essa simbiose pode ter várias consequências, que vão do parasitismo, onde um se beneficia e prejudica o outro, ao mutualismo, onde ambos se beneficiam a ponto de dependerem um do outro. Uma associação famosa, e bem ressaltada em tempos de aquecimento global, é a que acontece entre corais e dinoflagelados.

Os corais são formados por animais cnidários, parentes das águas-vivas, e formam um esqueleto externo de calcário, geralmente branco. O acúmulo de esqueletos antigos, uns sobre os outros é o que faz com que o coral cresça. O que dá a cor ao coral é o próprio animal, por isso quando ele morre o coral sofre o processo de branqueamento que tanto preocupa ambientalistas.
Para se alimentar, além da filtragem de partículas da água, os corais fazem associação com dinoflagelados, organismos unicelulares fotossintetizantes, que em troca de proteção e um ambiente favorável, fornecem parte dos açúcares sintetizados. Os dinoflagelados que participam da simbiose são sensíveis a variações de temperatura de alguns graus apenas, e podem morrer tanto em decorrência do aumento da temperatura da água quanto da obstrução da luz solar por poluentes. São eles os mais afetados pelo efeito antrópico (causado pelo ser humano). Continue lendo

Um artigo recente me inspirou para o primeiro post no Rainha Vermelha (se você está lendo o feed, clique no título e visite a casa nova), por mais que já tenha saído em outros lugares. Vírus são ao mesmo tempo simples e complicados. Simples porque não possuem muita coisa além de proteínas, de vez em quando uma camada de lipídeos, chamada envelope e material genético bem variado -DNA, RNA, dupla fita, simples fita, e variações disso. Seu material genético costuma ser bem resumido, deixando várias funções de lado, que serão completadas pelo hospedeiro. Complicados porque essa simplicidade toda desafia o conceito de vida aceito por muita gente.
Pretendo escrever alguns textos que mostrem que por baixo dessa aparente simplicidade, existe uma riqueza de interações muito curiosas. Um dos fatores que contribuem para que os vírus não sejam considerados seres vivos, é o fato de que não possuem metabolismo, dependem exclusivamente de células para sua reprodução. Assim sendo, é de se esperar que vírus sejam os últimos parasitas naquela escala: O cão têm pulgas, suas pulgas têm bactérias, e suas bactérias têm vírus.
Pois bem, conheçam os Mimivírus:
Durante um surto de pneuminia, foi feito o isolamento de água do sistema de resfriamento de um prédio na Inglaterra para checagem de microorganismos (doenças muito sérias, como a Doença dos Legionários podem ser transmitidas por dutos de ar-condicionado por exemplo), e alguns cientistas isolaram uma bactéria, que ebora aparecesse no microscópio, escapou a todas tentativas de isolamento de seus genes de ribossomo. Depois de perceber uma relação entre ela e uma ameba de nome Acanthamoeba polyphaga, ficou claro que aquela bactéria era na verdade um vírus, e por isso não tinha ribossomo. Um vírus que aparecia em microscópios ópticos normais. Para dar uma noção, o limite teórico da resolução de um microscópio óptico é cerca de 200nm (nanômetros), ou 200 bilhonésimos de metro. A grande maioria dos vírus têm entre 80 e 150nm. O vírus isolado tinha 400nm, maior do que muitas bactérias. Devido ao tamanho e à coloração que confundiu os cientistas ele recebeu o nome de Mimivírus, derivado de mímico ou mimético.

Como me proponho a discutir evolução neste blog, sou obrigado a reportar o seguinte fato:
Ainda não temos nenhum brasileiro ganhador do prêmio Nobel -nem IgNobel segundo Marcelo Leite- mas podemos nos contentar com outras premiações. O Padre Adelir, famoso por sua perícia em aparelhos de GPS foi agraciado com um duplo Darwin Awards!
Para quem não conhece, esse é o prêmio dado a quem, de maneira muito estúpida, consegue retirar seus genes do pool reprodutivo da espécie humana, ou seja, quem fez uma grande contribuição ao se excluir da humanidade, garantindo que seus genes não serão passados à geração seguinte. Já tinhamos um brasileiro lá, que se não me engano acendeu um fósforo dentro de um caminhã-tanque, para conferir se não havia mais gasolina. Mas padre Adelir conseguiu o prêmio duplo, por se retirar voluntariamente da próxima geração com o celibato e também por querer voar acima das nuvens de chuva (local onde se encontra até agora).
Quanto orgulho!! Brasil bi-campeão com um prêmio bem mais importante do que aquela medalha olímpica de consolo, que o maratonista atacado nas olimpíadas recebeu.
Agradeçam ao Bobagento.

© Copyright K. Telnes

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Eis que surge um paradoxo, como animais conseguem sobreviver por cerca de 80 milhões de anos sem reprodução? Não falo do tédio, mas sim de algo mais sério, a diversificação. A reprodução sexuada costuma ser vista como uma maneira de espalhar diversidade, através da combinação do material genético de ambos os pais. Apesar de estarem sujeitos a grandes mudanças, aparentemente os rotíferos deram um jeito.
Se você é mulher e quer viver mais, eis uma forma bem prazeirosa: faça sexo. Mas cuidado, isso só acontece se você fizer sexo com um homem estressado, caso você escolha um homem calmo não vai ajudar muito. Ficou preocupada? Não precisa, a afirmação anterior só é valida se você for uma formiga da espécie Cardiocondyla obscurior. Respirem fundo e preparem a cabeça, pois para quem gosta de evolução o texto abaixo tem muita coisa interessante.

As orquídeas são plantas sensacionais, não apenas visualmente, evolutivamente também. Muitas orquídeas são capazes de imitar cores e cheiros de fêmeas de insetos e com isso atrair o macho sedento, que ao tentar copular com a flor, transporta o pólen. Por causa da pressão seletiva as orquídeas são capazes de imitar perfeitamente o cheiro da fêmea, ou não…
Estudando orquídeas da espécie Ophrys exaltata, cientistas descobriram que havia uma grande variação na composição de sustâncias utilizadas para imitar a fêmea da abelha Colletes cunicularius. Isso levantou a questão de porque haveria a variação, se as fêmeas desta espécie de abelha costumam ter uma composição de cheiro uniforme. A culpa é dos machos. Como quase não há diferença entre as abelhas fêmeas, os machos têm preferência por odores ligeiramente diferentes, indicadores de uma maior variedade genética, que pode favorecer o sucesso da geração seguinte. O que a orquídea faz então é explorar essa “vontade de dar uma variada” dos machos, como você pode perceber pela voracidade do macho no vídeo abaixo, mais um pego no flagra levando gato por lebre. Ninguém está mais impune depois do Youtube.
fonte:

Para quem pensa que somos o melhor que a natureza tem a oferecer…

Já notou que o cabelo de asiáticos costuma ser mais espesso e espetado? Em um estudo publicado no ano passado, pesquisadores descobriram que asiáticos possuem uma única mutação em um receptor celular chamado EDAR (Ectodysplasin-A receptor) que aparece em células formadoras de cabelo, os folículos. O que os levou a essa conclusão foi o fato dessa mutação ser positivamente selecionada na população. Mas ficava a pegunta no ar, será que essa única mutação é responsável pelas diferenças?O passo seguinte foi a produção deratos transgêncos portadores dessa mutação. O resultado? É só conferir a foto! Os ratos tiveram diferenças no número de receptores e mudaram a morfologia dos pêlos, eram mais grossos, como mais cilíndricos também. Achei fantástico esse experimento, demonstrou de maneira muito ilustrativa.
Fontes:


