Fazendo o post abaixo acabei descobrindo que o nome daquela lesma-do-mar, a Clione limacina tem o nome popular de anjo-do-mar. Para saber o porquê é só ver esse vídeo:

Aí você pensa, como a Natureza é linda, como ela nada graciosamente, é mesmo um anjo! E se depara com o vídeo abaixo:


Acho o máximo esse tipo de publicidade que interage com o meio externo. Como dizer que sua salada é fresca? Faça um outdoor com terra e plante sementes de alface!

pérola

Não são só os shampoos que abusam da boa fé de quem compra. Uma série de produtos, principalmente cosméticos, se aproveitam de clichês e termos comuns para enganar o consumidor. Basta ver o caso do “extrato de pérola”. Vários cosméticos deixam em evidência que contém extrato de pérolas em sua composição, a questão é, qual substância da pérola poderia contribuir para o produto?
sabonete de pérolas

na verdade não são muitas opções, continue lendo…

Quando grandes mídias fazem reportagens sobre um tema que gera debate, costumam promover ambos os lados da discussão (e algumas vezes inclusive apontam quem está mais certo na opinião deles, mas isso não vem ao caso hoje). Acho muito saudável isso, mas algumas vezes gera situações onde o outro lado da discussão não é tão confiável mas se beneficia do “status” do primeiro. Em certas ocasiões a coisa é muito pior…
Não vejo problemas em consultar a opinião de religiosos sobre temas científicos, em especial temas que envolvem questões de ética. Um ponto de vista diferente pode sempre enriquecer a discussão. Desde que quem opina se identifique como tal. Um exemplo de quando isso é ignorado é a teoria do Design Inteligente, apontada como uma “teoria científica” alternativa à evolução.
Quinta-feira de noite (28/02) estava assistindo ao Jornal da Globo quando começou uma reportagem sobre células-tronco, e defendendo o uso de células-tronco embrionárias entrevistaram a pesquisadora Mayana Zatz. Até aí, nada de novo, mas ficou meio estranho quando para expor uma opinião contrária chamaram Lilian Piñero Eça, do Instituto de Pesquisa de Células Tronco. Estranhei não conhecê-la nem ter ouvido falar de seu instituto, mas deixei passar. Minha surpresa se deu sexta-feira, quando falava com o Rafael, que viu o debate completo dela no Bom Dia Brasil, inclusive porque algumas cenas foram filmadas no laboratório dele. Foi quando ele me falou sobre Lilian, eis o que surgiu:
Uma rápida conferida no currículo dela mostra que ela não tem publicações, pelo menos não em revistas indexadas, uma vez que numa busca no EUROPEAN JOURNAL OF PHARMACOLOGY não se encontra o artigo que ela indica. Artigo esse que inclusive tem um erro de gramática no título - characterisation, quando o certo é characterization- mas isso é normal quando uma pessoa que lê e escreve em inglês apenas razoavelmente escreve como única autora um artigo (não me perguntem como foi a leitura das referências que ela usa). E quanto mais se mexe, pior fica…

A Dra. Liliam é professora da Universidade Sagrado Coração e tem diversos prêmios, fotos e vínculos com a Igreja. Nas palavras de Dário Ferreira:

Dra. Lilian é pivô de um vexame científico dos mais excitantes dos últimos anos no Brasil, a ponto de ter sido necessário o Dr. Nestor Schor, Pró-Reitor de Pós-Graduação da Unifesp pronunciar-se dizendo que ela não faz parte do corpo docente ou discente da minha querida EPM (Unifesp para os jovens), apesar de no Curriculo Lattes constar pós-doutorado na Unifesp (como capturado na imagem acima - antes que ela mude novamente).

Mas o que tem a ver o título do artigo com a Dra. Lilian? Ora, tudo a ver! Dra. Lilian, ao que tudo indica é membro do Opus Dei, já que aparece grudada em Ives Gandra Martins, é docente do CEU (Centro de Extensão Universitária), entidade confessamente ligada à Obra e aparece citada no Portal da Família, um site também sabidamente ligado ao Opus Dei.

Alías, vale dar uma lida nesse texto do Dario. Além de indicar uma série de reportagens com denúncias do Jornal da Ciência sobre o currículo e o instituto (que por sinal não existe ou não existia na época da reportagem), ainda faz uma comparação bem delicada a respeito do quanto o currículo dela é relevante para o tema. Não perca também o texto do Rafael, que me pôs a par do que estava acontecendo.

É muito complicado uma emissora do porte da Globo dar o mesmo crédito à Mayana Zats e à Lilian Piñero, complicado inclusive retratá-la como pesquisadora no debate, quando ela não é (e não parece ser nem um pouco isenta de influências). Infelizmente a votação sobre a lei de Biosegurança é em poucos dias, um pouco tarde demais para que esse tipo de denúncia tenha resultados. Fica o aviso para que ao entrevistarem alguém, pelo menos leiam o currículo do entrevistado…


Imagine a cena:
Uma garota dá entrada no hospital dizendo que acha que tem um tumor vaginal. No seu histórico nada que suporte a idéia, nenhuma perda de peso, mal estar ou mudança na mestruação recentemente. Ela apresenta uma massa rígida na vagina, e após a biópsia o veredito, uma cebola!
Depois do diagnóstico a lembrança de que na noite anterior, ela e o companheiro tinham bebido bastante, e que durante a noite ele se levantou e antes de ir embora teve uma infeliz idéia…

Vi no A Blog Around The Clock, e a notícia original (bem legal de se ler) aqui.


Wally Wallington trabalha com construção, e ao ter que remover um bloco de mais de uma tonelada sem nenhuma máquina para o serviço, acabou desenvolvendo técnicas simples para mover e construir com blocos extremamente pesados. No site ele sugere que foi dessa maneira que aquelas grandes construções que as pessoas sempre dizem que são impossíveis de terem sido feitas pelos povos que lá viviam, e evocam uma “força maior” para isso. Recentemente um arquiteto demonstrou um possível esquema de construção das pirâmides, e me lembro de um pessoal que demonstrou também como eram feitas e transportadas as esculturas da Ilha de Páscoa, os Moai, especialmente depois que se descobriu que existiam muitas árvores na ilha, que provavelmente foram derrubadas para construção das mesmas. Antes de fazer qualquer observação sobre acabarem com as árvores para levantar estátuas, lembre de quantos tubarões são mortos por ano para fazer sopa de barbatana, ou quantos tigres morrem para fazerem raspa de pênis como afrodisíaco (detalhe: colocam pó de Viagra no meio para “garantir”).
No site dele ele tem vários artigos descrevendo as técnicas e no vídeo abaixo ele mostra como mover e erguer pedras do tamanho das utilizadas em Stonehenge.

Vi no Chongas.

A propaganda é antiga, mas vale para quem não viu… muito bem pensado o ponto de vista do espermatozóide!


Direto da Folha de São Paulo:

Preço alto faz cérebro sentir mais prazer com vinho, mostra estudo
A desculpa esfarrapada do consumista inveterado foi agora demonstrada verdadeira, pelo menos segundo reações do cérebro de 20 voluntários em um estudo nos EUA. Bastou dizer que um vinho era mais caro que outro para as “cobaias” humanas acharem que ele era mais gostoso –mesmo quando se tratava da mesmíssima bebida. Péssima notícia para os amantes do vinho, excelente para os profissionais de marketing.
[...]As bebidas apresentadas como caras, no final, tinham recebido notas maiores mesmo que fossem baratas; mas a maior atividade cerebral indicava que havia real aumento do prazer.”

Me lembrou de um evento que causa o contrário, estou andando no Carrefour e passo por um produto, digamos frango congelado, por R$3 na promoção, um pessoal passa, olha, alguns levam mas nada demais. Em seguida, o locutor fica dez minutos anunciando que vai haver uma grande promoção, fazendo inclusive contagem regressiva e avisando que a promoção vai durar apenas vinte minutos. Quando ele anuncia a promoção, eu ouço “- Frango congelado por apenas R$3” e o pessoal ensandecido corre para comprar, naquela sequência estouro de boiada, quando um passa correndo todos começam a correr também e em minutos acabou o frango. E é claro que depois de uma hora fazendo compras quando passarem no caixa o preço do frango ainda vai ser R$3, por mais que a “promoção” durasse apenas três minutos.

Nada como uma boa expectativa para mudar o que você realmente está vendo. e quero ver alguém comprar o canivete da foto pela utilidade, e não pelo preço!


Não são apenas os religiosos que têm tendência a serem fanáticos, já vi muitos cétidos com a mesma disposição (ouvi algumas vozes gritando Dawkins, mas acho que foi impressão). Felizmente esse não é o caso. Trata-se do site CeticismoAberto, de Kentaro Mori, com textos extremamente claros e muito lúcidos. Tive contato com seu trabalho pela coluna que ele mantém no Sedentário e Hiperativo chamada Dúvida Razoável, uma iniciativa muito boa do pessoal para balancer a outra coluna, Teoria da Conspiração. Acabei descobrindo que muitos dos temas que já tratei e pretendo tratar também estão lá. Recomendo muito! Para visitar clique aqui.

Pois é, vamos a mais um daqueles boatos…

Quem nunca recebeu um e-mail com uma figura de uma suposta página do livro educacional “Introduction to Geography” de David Norman:

Na figura, um mapa do Brasil falso, podemos ver que a região amazônica está demarcada como uma reserva Internacional - FINRAF que deve ser tratada como patrimônio universal e que passa a ser administrada pelas nações do G-23. Frequentemente em anexo vem essa apresentação de Powerpoint com a tradução do texto e diversas expressões de indignação. Mas vamos aos fatos:

Tal livro, Introduction to Geography extiste, como encontrei neste e neste links na Amazon, porém nenhum dos dois foi escrito por David Norman, e o escritor (ou escritores) também existe, porém nesta busca você vai descobrir que só existem livros sobre dinossauros, arte e alguns outros temas, mas nenhum de geografia. Por fim, não existem também nem a FINRAF nem o G-23. No site Novo Milênio, encontrei o seguinte texto da tradutora profissional de inglês para português Jussara Simões:

“Não vou comentar o texto todo por falta de tempo, mas o último parágrafo (aquele que fica no canto inferior direito da página) contém erros que só seriam cometidos por pessoas que não têm convívio com a língua inglesa, isto é, por estrangeiros ao idioma inglês. Na minha opinião, isso pode indicar falsificação do texto.

O texto apresenta indícios de que foi escrito por algum nativo de língua latina. Contém a palavra “explorate”, que é palavra em desuso nos EUA e a palavra com mais probabilidade de aparecer num texto desses seria “explore”.

O trecho “We can consider that this area has the most biodiversity in the planet” parece tradução literal do português ou do espanhol e “has the most biodiversity in the planet” não tem sentido em inglês.

“The value of this area is unable to calculate” é “o valor dessa área é incapaz de calcular”. Desde quando valor tem capacidade de fazer contas? Se o autor quisesse dizer que “o valor dessa área é incalculável”, deveria dizer que “the value of this area is incalculable” — isso em tradução literal, pois existem diversas maneiras de se dizer isso em inglês.

O verbo “to calculate” exige sujeito pensante, e “value” não pode ser sujeito de “calculate”, além de vários outros detalhes com relação ao uso de “unable” etc. É uma frase impossível em inglês. “the planet can be cert” também não faz sentido. “won’t let there Latin American countries”, idem. Em resumo, o parágrafo inteiro é inglês macarrônico.
Até o momento, já recebi umas 8 respostas, cada uma mais engraçada que a
outra. Uma delas diz que aquele texto mais parece manual de videocassette
chinês!

Esses meus mais de 20 anos traduzindo do inglês para o português pelo menos me deixaram com o faro apurado para o inglês autêntico e para o forjado por quem não sabe. Assim como a gente ri quando um alemão diz “o salsicha’, os ianques estão rolando de rir do inglês daquele texto falsificado. (Em tempo: só repassei para eles o último parágrafo, pois eu não estava interessada em fazer com que meu país virasse alvo de piadas. O parágrafo que enviei não deixa transparecer do que se trata exatamente.)”

Aparentemente trata-se de um boato criado por brasileiros que gerou discussões enormes e acabou envolvendo muitas pessoas, como Michelle Zwede, professora do Brazil Center da Universidade do Texas, que pediu provas para o site que divulgava o mapa e acabou tendo seu nome usado como autora do texto.

O jornal Estadão publicou uma notícia tomando o boato como verdadeiro e posteriormente se retratou, mas não consegui encontrar as reportagens.

Também ficaria indignado se tal notícia fosse verdadeira, assim como ficaria muito impressionado se fosse encontrado um esqueleto gigante ou uma barata de 5kg, mas não é o caso.

para mais leituras sobre como surgiu e como repercurtiu esse boato:
http://www.novomilenio.inf.br/humor/0111f002.htm
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2001/11/11677.shtml

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