
Mais um documentário recomendado, desta vez o Vida Privada das Plantas. Lançado em 1995, é um dos primeiros a apresentar aquelas imagens aceleradas, onde ele gravam duas semanas de crescimento de uma plantinha e passam isso em meio minuto. Narrado adivinha por quem? David Attenborough, claro! São seis episódios, todos ótimos, recomendo os episódios Crescimento e Competição Social. Inclusive aquela cena das plantas carnívoras que disse serem do Planeta Terra são deste documentário.
O esquema vocês já conhecem, o torrent se encontra aqui e as legendas com certeza você encontra no Legendas.tv. Abaixo um vídeo com algumas cenas, destaque para as sementes sendo lançadas.
Outro vídeo com cenas de fungos crescendo (o primeiro parecia uma couve-flor) aqui. A cena da jarro-titã ou planta cadáver (titan arum - Amorphophallus titanum), aquela inflorescência enorme e linda, que pode pesar até 70 quilos e chegar a três metros de altura, abre duas ou três vezes, geralmente os jardins botânicos que a cultivam fazem eventos para atrair o público. O que ninguém conta é o porquê do nome dela,confira aqui.

Pretendo fazer vários posts sobre plantas carnívoras, e para começar, veremos a Dionaea muscipula, chamada por Darwin de “uma das plantas mais maravilhosas do mundo”, também conhecida como Vênus Papa-moscas ou aquela planta da boquinha.
As plantas carnívoras têm muito mais em comum com outras plantas do que se pode imaginar. Elas também realizam fotossíntese, captando CO2 do ar e sais minerais do solo. Então elas são carnívoras por quê? O solo onde ficam costuma ser pobre em nutrientes, de maneira que a apreensão e digestão de pequenos animais complementa a deficiência do substrato.

A papa-mosca é nativa do leste dos Estados Unidos, da região dos estados da Carolina do Norte e Carolina do Sul. Ela possui uma folha modificada, onde o pecíolo que normalmente forma a base da planta passa a fazer a fotossíntese e o limbo é modificado em dois lóbulos que formam a armadilha. Ao contrário do que muitos gostariam, sua folha normalmente não passa de 10cm de comprimento. Sua armadilha possui de 15 a 20 cílios que impedem a saída da presa. Próximas à borda existem glândulas secretoras de néctar, as quais junto ao pigmento antocianina que dá acor avermelhada, atraem os insetos e pequenos artrópodes que servem de presa.

Para que a armadilha se feche, são necessários diferentes estímulos que aumentam as chances de uma captura bem sucedida. Antes de mais nada, a folha percebe a presa por pêlos-gatilho, que ficam a uma distância da glândulas tal que animais pequenos demais, que não valeriam a pena o processo de digestão (este consome muita energia) não acionam os gatilhos. Quando a presa é grande o suficiente, ela atinge o gatilho, mas isso ainda não é o suficiente, como forma de garantir que trata-se de um animal, e não uma gota de chuva por exemplo, o gatilho normalmente precisa de um segundo estímulo, ou outro gatilho precisa se tocado (dentro de um período de cerca de 20s, quanto antes o segundo estímulo mais rápido se dá o fechamento). Após o acionamento, se dá uma comunicação por cálcio e outros sinalizadores (este mecanismo ainda não está completamente elucidado) que promovem o fechamento da armadilha.

O mecanismo do fechamento foi recentemente elucidado por pesquisadores da universidade de Harvad, que propuseram uma mudança conformacional dos lóbulos movida por energia elástica: os lóbulos têm duas conformações, uma convexa, que é adotada quando a folha está aberta e outra côncava. Quando os gatilhos disparam a mensagem, a folha passa a dissipar a água que mantém a pressão que dá o formato convexo, com isso, o lóbulo passa para o outro estado, o convexo. Essa mudança é rápida e se dá em até um décimo de segundo.
Quando fechada a armadilha ainda mantém um espaço entre os cílios que permite a saída de animais muito pequenos. Se os estímulos mecânicos e químicos continuarem, indicando que a presa é grande o suficiente para não escapar, o fechamento se completa e a digestão começa. Na parte interna dos lóbulos, existem várias glândulas digestivas que liberam enzimas que vão degradar as partes macias dos artrópodes. O exoesqueleto feito de quitina não é digerido e permanece quando a armadilha é aberta, sendo levado pelo vento ou pelo chuva. Essa etapa dura entre dois e doze dias, dependendo da temperatura e do tamanho da presa.
Feita a digestão a armadilha volta a se abrir, desta vez lentamente devido à hidratação, ganhando tamanho durante o processo. As folhas podem se fechar apenas algumas vezes (uma única se a presa for muito grande) e conforme amadurecem perdem a capacidade de apreensão e apodrecem.
Para completar o texto, é bom ver o vídeo (em inglês, mas de fácil compreensão) do mestre Attenborough. O fim do vídeo mostra uma sarracênia, sobre a qual falarei num próximo post:
Para comprar uma dessas recomendo uma busca na internet, sites como o mercado livre costumam ter. E para quem mora na grande São Paulo, vá no Ceagesp, nas feiras de terça e sexta-feira de manhã você encontra um vaso por R$3, de longe o mais barato.
São fáceis de criar, precisam apenas de bastante sol e água, se viram muito bem para arranjar presas, mas não deixa de ser divertido colocar um bichinho nela.
Fontes:
Botanical Society of America
International Carnivorous Plant Society
Dicas de cultivo
How the Venus flytrap snaps.PDF Nature 433: 421–425

